Bloqueios de nervo na cirurgia plástica: TAP, PECS e ESP | Dr. Iuri Eleutério
Anestesia em Plástica

Bloqueios de nervo na cirurgia plástica: por que se acorda com menos dor

TAP, PECS e ESP guiados por ultrassom entram como peça de analgesia em abdominoplastia e cirurgia de mama. Reduzem dor de repouso, consumo de opioide e náusea pós-operatória, e fazem parte do pacote multimodal que eu desenho com a Dra. Iara Batalha.

Tem uma frase que a paciente diz muito quando volta para a primeira consulta de revisão depois de uma abdominoplastia ou de uma mamoplastia conduzida com a Dra. Iara Batalha: "doutor, eu acordei sem dor". Isso não é coincidência, e também não é frase de marketing. É consequência de uma escolha técnica feita ainda na sala de cirurgia, antes mesmo de a paciente fechar os olhos: o uso de bloqueios de nervo guiados por ultrassom como peça do pacote anestésico, somados à anestesia geral ou à TIVA.

Esse texto é sobre essa peça. Vou explicar o que é, em concreto, um bloqueio de plano fascial, por que o ultrassom mudou a forma como esses bloqueios são feitos, quais são os bloqueios que entram em cirurgia plástica de abdome (TAP) e de mama (PECS, ESP, paravertebral), o que diz a literatura sobre redução de dor e de opioide, como a raqui e a peridural se posicionam diante deles, e como tudo isso se encaixa em um pacote multimodal. E também os limites. Bloqueio bem feito reduz dor, reduz náusea, reduz opioide, mas não substitui consulta pré-anestésica criteriosa, monitorização adequada, nem técnica cirúrgica.

O que é, no fundo, um bloqueio de nervo periférico

Anestesia regional bloqueia, por algumas horas, a transmissão nervosa de uma área específica. Pode ser feita em três grandes níveis. No neuraxial, com raqui ou peridural, o anestésico fica próximo à medula espinhal e bloqueia muitos dermátomos de uma vez. No bloqueio de plexo, ele circunda um plexo nervoso e cobre toda a inervação distal. E no bloqueio de plano fascial, mais novo no arsenal, o anestésico é depositado entre dois planos musculares ou aponeuróticos e se difunde para as ramificações sensitivas que cruzam aquele plano [1].

O bloqueio de plano fascial é a categoria que mais cresceu em cirurgia plástica nos últimos anos, e os três principais que eu uso aqui são o TAP block para parede abdominal, o PECS (PECS I e PECS II) para parede torácica anterior e o ESP block para parede torácica posterior. Eles não substituem anestesia geral nas cirurgias de médio e grande porte, eles entram dentro dela como camada adicional de analgesia. Diferente da raqui ou peridural, o bloqueio de plano fascial preserva motricidade, o que ajuda a paciente a levantar mais cedo e deambular no pós.

O ultrassom mudou tudo

Bloqueios de plano fascial existem em conceito há décadas, mas a viabilidade clínica em larga escala chegou com a anestesia regional guiada por ultrassom. Antes, depositar anestésico no plano correto era exercício baseado em referências anatômicas, com grau razoável de variabilidade. Com a sonda em tempo real, eu vejo a agulha entrando no plano, vejo o anestésico se espalhando entre as fáscias e ajusto a posição se for preciso. A precisão melhora, a dose que basta para cobrir o território diminui, e o risco de injeção intravascular ou intraneural cai.

A Sociedade Brasileira de Anestesiologia atualizou suas diretrizes de anestesia regional em 2020, com forte ênfase no ultrassom como padrão moderno [2]. Em paralelo, a literatura brasileira em cirurgia plástica de mama tem revisão dedicada ao tema [3]. O que eu uso aqui não é técnica experimental: é o padrão recomendado por diretriz.

Por que o ultrassom importa

O ultrassom transformou bloqueios de plano fascial de "técnica de cego baseada em referência anatômica" para técnica visual em tempo real. Eu vejo a agulha, vejo o anestésico se espalhando, vejo o vaso para evitar. Isso aumentou segurança e ampliou a indicação clínica desses bloqueios em cirurgia plástica.

TAP block: a peça padrão na abdominoplastia

O TAP block, sigla de Transversus Abdominis Plane, é o bloqueio que eu mais uso em cirurgia plástica de abdome. Deposita anestésico local no plano entre o músculo oblíquo interno e o músculo transverso do abdome, onde os ramos sensitivos dos nervos torácicos T7 a L1 caminham antes de inervarem a parede abdominal anterior. Bilateral, dá analgesia que dura em geral de 12 a 24 horas dependendo do anestésico e da concentração.

A evidência em abdominoplastia é consistente. Uma revisão sistemática com meta-análise dedicada mostrou redução de escores de dor, prolongamento do tempo até a primeira solicitação de analgésico e redução de náusea e vômito pós-operatório com odds ratio de 0,18 e intervalo de confiança 95% de 0,04 a 0,90 [4]. A chance de a paciente passar náusea ruim cai bastante quando o TAP entra no plano.

Uma network meta-analysis publicada no Aesthetic Surgery Journal em 2023 [5] e a revisão sobre eficácia analgésica de bloqueios após abdominoplastia [6] colocam o TAP no melhor perfil global entre as opções para parede abdominal (TAP, retus, pararretus, intercostais), com perfil de segurança favorável quando guiado por ultrassom. Eu faço o TAP depois da indução, antes da incisão, ou no final, antes de a paciente acordar. O efeito chega ao mesmo lugar.

PECS I e PECS II: cirurgia de mama com analgesia desenhada

Para mamoplastia, prótese, redução, mastopexia e reconstrução, os bloqueios de escolha são os PECS, descritos por Rafael Blanco. PECS I deposita anestésico entre o peitoral maior e o peitoral menor, cobrindo os nervos peitorais medial e lateral. PECS II adiciona um segundo plano, entre o peitoral menor e o serrátil anterior, e cobre os ramos cutâneos laterais dos nervos intercostais T2 a T6. Juntos, dão cobertura analgésica para a parede torácica anterior.

A literatura é robusta. Um ensaio clínico randomizado dedicado mostrou efeito poupador de opioide significativo com PECS em cirurgia de mama [7]. Meta-análise confirma redução de dor de repouso, consumo intra e pós-operatório de opioide e PONV com PECS e bloqueio do serrátil [8, 9]. Em 2022, a Society for Ambulatory Anesthesia (SAMBA) publicou um Practice Advisory específico sobre bloqueios peitorais em cirurgia de mama ambulatorial [10], formalizando a recomendação. SAMBA é a sociedade que mais foca no recorte ambulatorial, exatamente o cenário em que muitas cirurgias estéticas de mama acontecem.

Por que o PECS recebe recomendação SAMBA

A SAMBA recomenda explicitamente bloqueios peitorais em cirurgia mamária ambulatorial porque a evidência mostra redução de dor, redução de opioide e redução de PONV, três desfechos centrais para alta no mesmo dia. Quando a paciente vai para casa horas depois da cirurgia, isso muda a experiência da noite e do primeiro dia.

ESP block: o caçula com perfil consistente

O ESP block, sigla de Erector Spinae Plane, foi descrito originalmente para dor crônica torácica, em 2016. Rapidamente mostrou utilidade no perioperatório de mama, parede torácica e abdome superior. O anestésico é depositado em um plano profundo, abaixo do músculo erector da espinha, no nível do processo transverso vertebral. A partir dali, ele se difunde para o espaço paravertebral, atingindo ramos ventrais dos nervos espinhais.

Uma revisão sistemática com meta-análise concluiu que o ESP em cirurgia de mama reduz dor e consumo de opioides em comparação com controle [11]. Em comparação direta com o PECS II em mastectomia radical modificada, o PECS II tendeu a oferecer melhor controle analgésico, segundo um estudo comparativo dedicado [12]. Em cirurgia plástica estética da mama, eu escolho entre ESP e PECS conforme a anatomia da paciente, a posição cirúrgica e o tipo de procedimento. O ESP tem vantagem prática em pacientes com alterações de coluna ou com acesso à axila dificultado: a punção é mais posterior, em região mais "limpa".

Bloqueio paravertebral: a opção robusta de antes do plano fascial

Antes da era dos bloqueios de plano fascial guiados por ultrassom, o paravertebral era o padrão para cirurgia de mama, e contínua sendo opção válida em mãos treinadas. O anestésico é depositado no espaço paravertebral, lateral ao corpo vertebral, e bloqueia o ramo ventral do nervo espinhal, o ramo dorsal e a cadeia simpática naquele nível. A cobertura é mais ampla que a do ESP. O ponto é que ele exige técnica mais específica e tem janela de erro mais estreita: a proximidade com a pleura aumenta o risco de pneumotórax sem ultrassom de qualidade. Hoje, com ESP e PECS bem estabelecidos, o paravertebral fica como opção em casos selecionados.

Raqui e peridural em abdominoplastia: alternativas válidas

Dá para fazer abdominoplastia sem anestesia geral? A resposta da literatura é sim, em pacientes selecionadas. Raquianestesia e peridural foram validadas como alternativa segura à geral em abdominoplastia [13, 14]. As vantagens descritas são reais: melhor analgesia pós-operatória, menor resposta de estresse cirúrgico e redução do risco de doença tromboembólica, particularmente quando peridural é mantida no pós com opioide ou anestésico local em concentração baixa.

A limitação técnica importante: para cobrir toda a parede abdominal, o bloqueio neuraxial precisa atingir o dermátomo T4 superiormente e L1 inferiormente [15]. Janela ampla, exige planejamento. Uma scoping review recente concluiu que abdominoplastia sem anestesia geral é factível e segura em pacientes selecionadas [16]. Em cirurgias longas e combinadas, a anestesia geral ou TIVA com bloqueio regional somado costuma ser a escolha padrão. Em casos específicos, raqui ou peridural com sedação faz sentido. A decisão é tomada na pré-anestésica, junto com a paciente.

Como o bloqueio se encaixa no pacote multimodal

Bloqueio sozinho não é o plano completo. O conceito moderno de analgesia em cirurgia plástica é multimodal: combinar fármacos e técnicas que atuam em mecanismos diferentes da via da dor, somando efeitos e reduzindo a dose total de cada um, em especial de opioide [17, 18]. Em cirurgia plástica estética, revisões dedicadas em abdominoplastia, lipoaspiração de grande volume e mama mostram redução consistente de dor pós-operatória, consumo de opioides, náusea e tempo de internação com a abordagem multimodal [18, 19].

O pacote típico que eu desenho com a Dra. Iara inclui: anestesia geral ou TIVA como base, bloqueio regional específico (TAP em abdome, PECS ou ESP em mama, combinação em mommy makeover), paracetamol e anti-inflamatório quando não há contraindicação, e opioide só se necessário e na menor dose efetiva. Em casos selecionados, lidocaína IV intraoperatória, dexmedetomidina ou cetamina IV em baixa dose entram como adjuvantes [17]. Em revisão sistemática de reconstrução mamária com implante, 92% dos estudos com infusão contínua de anestésico local mostraram efeito poupador de opioide [20].

Como o bloqueio reduz opioide

O opioide cobre dor por ação central no sistema nervoso. O bloqueio regional cobre dor por ação periférica, no nervo, antes do sinal chegar à medula. Quando o nervo está bloqueado, o estímulo doloroso pós-operatório que chega ao SNC é menor, e a dose de opioide necessária despenca. Menos opioide é menos náusea, menos sonolência, menos depressão respiratória.

O que a paciente sente, na prática

Uma dúvida frequente é "doutor, mas eu vou sentir o bloqueio entrando?". A resposta é não. O bloqueio é feito depois da indução, com a paciente já dormindo. Quando ela acorda na recuperação, o bloqueio já está agindo. O efeito analgésico chega ao pico nas primeiras horas e dura entre 12 e 24 horas dependendo do anestésico, da concentração e do volume.

O que ela percebe é o que ela não percebe: a área do TAP, do PECS ou do ESP fica com sensibilidade reduzida. Não significa "completamente dormente". Significa que estímulos que seriam dor moderada a intensa viram desconforto leve, e a paciente consegue se mexer, mudar de posição, levantar da cama, sem o pico de dor que costumava acompanhar essas cirurgias antes. Quando o efeito do bloqueio começa a regredir, o esquema de analgesia oral em casa, com paracetamol em horário fixo e anti-inflamatório quando indicado, assume. A passagem é o momento crítico, e por isso a primeira dose de paracetamol é dada ainda na recuperação, antes da alta, para criar sobreposição.

Tabela: bloqueio, cirurgia, território e evidência

BloqueioCirurgia plástica típicaO que cobreEvidência principal
TAP blockAbdominoplastia, lipoabdominoplastia, mommy makeoverParede abdominal anterior, T7 a L1Redução de dor, redução de opioide, OR 0,18 (IC 95% 0,04-0,90) para PONV [4]
PECS I e IIMamoplastia com prótese, redução, mastopexia, reconstruçãoParede torácica anterior, peitorais e intercostais T2 a T6Redução de dor de repouso, redução de opioide, recomendação SAMBA 2022 [7, 8, 10]
ESP blockMama, parede torácica, abdome superiorEspaço paravertebral por difusãoRedução de dor e opioide em mama (revisão sistemática) [11]
ParavertebralCirurgia de mama (opção robusta histórica)Ramo ventral, dorsal e cadeia simpáticaPadrão consolidado pré-era do plano fascial, requer técnica específica
Raqui ou periduralAbdominoplastia em pacientes selecionadasDermátomos T4 a L1 para parede abdominal completaAlternativa segura à geral, redução do risco de TEV [13, 14, 15, 16]

Riscos e o que precisa ser dito com honestidade

Bloqueio é procedimento invasivo, e nenhum procedimento invasivo é isento de risco. Os riscos relevantes que eu discuto na consulta pré-anestésica são:

  • Punção vascular acidental: pode levar a hematoma local. Com ultrassom e técnica cuidadosa, é raro e na maioria dos casos não tem repercussão clínica relevante.
  • Falha do bloqueio: nem todo bloqueio funciona 100%. Em uma fração dos casos, a cobertura analgésica é parcial. Por isso o bloqueio não é "plano único", é peça do pacote multimodal.
  • Toxicidade sistêmica de anestésico local (LAST): complicação potencialmente grave quando o anestésico atinge a circulação em concentração tóxica. É rara e tem protocolo de tratamento estabelecido pela ASRA, com emulsão lipídica a 20% [21]. A prevenção passa por dose calculada por peso, aspiração antes de injetar, fracionamento da dose e monitorização.
  • Lesão neurológica: muito rara em bloqueios de plano fascial guiados por ultrassom, porque a agulha é depositada no plano fascial e não diretamente no nervo.
  • Pneumotórax: risco específico do paravertebral clássico, baixíssimo no PECS guiado por ultrassom e desprezível no TAP. Mais um motivo pelo qual o ultrassom mudou a equação.

Para fechar, sobre acordar com menos dor

"Acordei sem dor" é uma frase bonita, mas ela carrega uma decisão técnica que foi tomada antes. Vem de bloqueio bem indicado, bem feito, com anestésico certo na dose certa, somado a um pacote multimodal pensado caso a caso, em conjunto com a Dra. Iara. A literatura mostra que bloqueio regional em cirurgia plástica reduz dor pós-operatória, reduz consumo de opioide e reduz náusea e vômito. O ultrassom transformou o que era técnica difícil em técnica visual em tempo real. Em abdominoplastia, o TAP é peça padrão. Em mama, PECS e ESP são as escolhas principais, com paravertebral em casos selecionados. O bloqueio, sozinho, não é o plano: é peça de um pacote multimodal que começa na pré-anestésica e termina no esquema de analgesia oral em casa. Quando isso é feito direito, a primeira frase da paciente na revisão tende a ser exatamente aquela.

Dr. Iuri Eleutério
Dr. Iuri Eleutério, anestesiologista

Conduz anestesia personalizada em cirurgia plástica ao lado da Dra. Iara Batalha, em hospital acreditado no Rio de Janeiro. O foco é segurança em cada etapa: avaliação pré-anestésica criteriosa, técnica adequada à cirurgia e ao paciente, e analgesia multimodal para uma recuperação mais confortável.

Fontes

  1. Chin KJ, et al. Mechanisms of action of fascial plane blocks: a narrative review. Princípios gerais dos bloqueios de plano fascial. PMC 9530417 (TAP em reconstrução mamária autóloga)
  2. Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Atualização da diretriz de anestesia regional, 2020. SciELO. RBA 2020 (PDF)
  3. Anestesia regional guiada por ultrassom em mama. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. RBCP, regional guiada por US em mama
  4. TAP block em abdominoplastia: revisão sistemática e meta-análise. PMC. Redução de PONV com OR 0,18 (IC 95% 0,04-0,90). PMC 10726299
  5. Network meta-analysis de bloqueios em abdominoplastia. Aesthetic Surgery Journal, 2023. ASJ 2023
  6. Sforza M, et al. Analgesic Efficacy of Nerve Blocks After Abdominoplasty. Revisão sistemática. PubMed 31680144
  7. Pecs Block for Opioid-Sparing Analgesia in Breast Surgery: ensaio clínico randomizado. PMC. PMC 8763990
  8. Versyck B, et al. Pectoral nerve blocks: meta-analysis. Redução de dor de repouso, opioide e PONV. PubMed 32109825
  9. PECS versus controle em cirurgia de mama. PubMed. PubMed 34593675
  10. Society for Ambulatory Anesthesia. SAMBA Pectoralis Blocks Practice Advisory, 2022. PubMed 35428960
  11. ESP Block decreases pain and opioid consumption: revisão sistemática. PMC. PMC 6908334
  12. PECS II versus ESP em mastectomia radical modificada. PubMed. PubMed 33786681
  13. Abdominoplasty under Spinal Anesthesia. PMC. PMC 6545934
  14. Epidural as thromboembolic prophylaxis in plastic surgery. PubMed. PubMed 21825102
  15. Anesthesia for Abdominal Wall Reconstructive Surgery. PMC. Cobertura T4 a L1. PMC 3348740
  16. Abdominoplasty Without General Anesthesia: Scoping Review. PMC. PMC 11653385
  17. Garimella V, Cellini C. Postoperative pain control: multimodal analgesia. PMC. PMC 6193589
  18. Barker JC, et al. Multimodal Analgesia in Aesthetic Plastic Surgery. Aesthetic Plastic Surgery. PMC 9094416
  19. Multimodal Pain Control in Abdominoplasty. ASJ Supplement, 2024. ASJ 2024
  20. Opioid-sparing in alloplastic breast reconstruction. Revisão sistemática (92% dos estudos com infusão contínua de anestésico local). PubMed 34796086
  21. American Society of Regional Anesthesia and Pain Medicine. ASRA Checklist for Treatment of Local Anesthetic Systemic Toxicity (LAST), 2020. ASRA LAST Checklist
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